Atender
25 mil pacientes por ano é a expectativa dos idealizadores do Hospital do
Câncer do Tocantins que será construído na quadra 1101 Sul, onde parte da área
foi doada pelo município de Palmas. O lançamento da construção do hospital
ocorreu na tarde desta terça-feira, 31, no auditório da Justiça Federal com a
presença dos idealizadores, voluntários, do presidente da Fundação Pio XII
(mantenedora do Hospital do Câncer de Barretos - SP), Henrique Prata, e da
vice-prefeita Cínthia Ribeiro, do secretário municipal de Saúde, Nésio
Fernandes, entre outras autoridades locais. Os idealizadores acreditam que, tão
logo resolvam as questões burocráticas inerentes a uma obra dessa complexidade,
possam anunciar uma data para início da construção.
A
iniciativa nasceu do anseio de arquitetos e empresários, liderados pela
arquiteta Mônica Avelino, que juntamente com o poder público estão articulando
para a implantação da unidade numa área total de 78 mil m², sendo que 54.500 m²
foram doados pelo Estado e 22 mil m² pela Prefeitura de Palmas. Uma união de
esforços em prol de oferecer mais dignidade aos pacientes com câncer do
Tocantins e de estados vizinhos como Pará, Maranhão, Piauí e Bahia.
A
fase inicial terá 15 mil m² de área construída. A estimativa é que abrigue uma
equipe de 756 funcionários e 195 médicos. “Esse projeto nasceu há dois anos e a
sociedade abraçou a causa, assim como o poder público. O próprio prefeito
Carlos Amastha é amigo particular do ministro e tem nos ajudado muito. Temos
recurso parcial destinado pelo Ministério da Saúde e vamos fazer leilões,
campanhas, visitas a empresários e indústria que abracem a causa e podemos
pedir recursos para os demais estados”, disse Mônica Avelino, referindo-se aos
recursos necessários para a construção.
O
Hospital do Câncer do Tocantins terá como mantenedor a Fundação Pio XII, a
mesma entidade mantenedora do Hospital do Câncer de Barretos (SP), que
atualmente atende 428 pacientes tocantinenses, provenientes de 65 municípios do
Estado. Mas de acordo com o presidente da Fundação Pio XII, Henrique Prata,
atualmente o Hospital de Barretos recebe mais de dois mil pacientes/mês
oriundos da região do Matopiba. “Isso é um conceito que eu tenho que é desumano
porque uma pessoa com dor e sofrimento não poderia deslocar mais de 500 ou mil
quilômetros para se tratar e a maioria se desloca dois a três mil quilômetros
para Barretos (SP). Então aqui é lugar central para o país, vai facilitar a
locomoção dos pacientes, que vão se tratar mais perto de casa e da família”,
ressalta Prata.
Prata
ressalta ainda que o projeto que será implantando na Capital consiste num
Centro de Alta Complexidade (Cacom) onde o tratamento terá começo, meio e fim.
“Prevenção, tratamento, ensino e pesquisa. Se não houver essa complexidade,
você não tem credibilidade de fazer uma medicina voltada aos pacientes com
câncer. Não vamos trazer para cá um hospital do câncer, mas o hospital do amor,
hoje 99% dos nossos pacientes são satisfeitos com o atendimento e a seriedade
com que conduzimos nosso trabalho que é referência para a América Latina”,
destacou.
Município
A
vice-prefeita Cínthia Ribeiro lembrou do longo tratamento pelo qual passou seu
esposo, ex-senador João Ribeiro vítima de leucemia. “Eu recebo com entusiasmo a
notícia da implantação desse hospital porque sei bem o quanto é difícil para o
paciente e para a família também que tem que percorrer uma longa distância para
obter o tratamento adequado. O câncer tem vitimado inúmeras pessoas pelo país e
as famílias sofrem junto, mas tenho certeza que nessa união de esforços teremos
em breve um hospital de referência não só para o Tocantins, mas para os estados
vizinhos”, disse a vice-prefeita.
O
secretário municipal de Saúde, Nésio Fernandes, acredita que a parceria
público-filantrópica é fundamental para o tratamento contra o câncer. “A experiência de Barretos é muito rica, onde
demonstra que o Sistema Único de Saúde pode funcionar e demonstra que as
parcerias público-filantrópricas podem ser eficientes e sustentáveis onde a
sociedade civil se organiza e participa de maneira ativa do financiamento desse
tipo de rede assistencial”, avalia Fernandes.
O
secretário acredita ainda que o êxito da rede municipal de saúde quanto à
cobertura do programa de Saúde da Família associada a parcerias com o futuro
hospital pode resultar numa experiência única no Brasil. “Hoje nós conseguimos
ter condições de uma experiência muito particular e mais avançada que outras
regiões do Brasil, porque temos aqui na Capital 100% de cobertura de Saúde da
Família e acessos rápidos e ágeis a todos exames de alta complexidade que são
capazes de detectar cânceres e o que pode levar Palmas a ter um alto índice de
diagnóstico precoce dos diversos tipos de câncer. A médio prazo se conseguirmos
manter esse ritmo de avanço que está tendo na saúde da Capital, a gente
conseguirá ter ao longo da próxima década uma experiência única no Brasil de
parceria desse serviço com o município de Palmas”, concluiu.


