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Prefeitura de Palmas leva debate sobre população trans ao sistema socioeducativo em parceria com a UFT

Atividade no Case integrou projeto de extensão 'Cidade Fora do Texto' e incluiu exibição de documentário tocantinense e apresentação de dados do CensoTrans Palmas

Prefeitura de Palmas leva debate sobre população trans ao sistema socioeducativo em parceria com a UFT

Equipe da Seirdh participa de atividade formativa no Case, com exibição de documentário e apresentação de dados do CensoTrans Palmas

Data da publicação: 30/04/2026

Crédito da foto: Kaio Costa


A Prefeitura de Palmas, por meio da Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh), participou nesta quarta-feira, 29, de uma atividade formativa no Centro de Atendimento Socioeducativo (CASE), voltada à discussão sobre identidade de gênero, direitos humanos, realidade e acessos da população trans na Capital. A ação foi realizada a convite da professora Patrícia Orfila, coordenadora do projeto de extensão 'Cidade Fora do Texto', do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Tocantins (UFT).

A programação teve início com a exibição do documentário 'Resistir para Existir', produção tocantinense construída a partir de relatos de pessoas trans residentes em Palmas. A obra apresenta experiências relacionadas à descoberta da identidade de gênero, às vivências de exclusão e às estratégias de resistência, servindo como ponto de partida para o diálogo com os adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa e os profissionais presentes.

Na sequência, a equipe da Seirdh participou de uma roda de conversa com apresentação de dados do CensoTrans Palmas e vivências a partir do secretário José Eduardo de Azevedo e dos servidores Kaio Costa e Wanda Citó. Entre os dados apresentados, destaca-se que 85,3% das pessoas entrevistadas relataram já ter sofrido algum tipo de violência ou discriminação na Capital.

“Quando a gente traz dados do CensoTrans para espaços como o sistema socioeducativo, conectamos informação com realidade. Não se trata apenas de apresentar números, mas de provocar reflexão sobre respeito, dignidade e direitos. Esse diálogo é fundamental para que esses jovens compreendam a diversidade da sociedade e o papel que cada um tem na construção de uma convivência mais justa”, afirmou o secretário José Eduardo.

Reflexões
A atividade foi marcada pela participação ativa dos adolescentes, que compartilharam percepções após o debate. Um dos socioeducandos, de 14 anos, destacou o impacto da experiência: “Foi muito bom porque a gente começa a enxergar pessoas que antes não via. Tem muita gente que é invisibilizada. Hoje eu entendi melhor que essas pessoas existem, que precisam ser respeitadas e que não devem se esconder. Foi algo que me fez pensar e que pode mudar a forma como a gente vê os outros.”

A coordenadora do projeto, Patrícia Orfila, ressaltou a importância da articulação entre universidade, gestão pública e sistema socioeducativo: “A participação da Seirdh foi fundamental para ampliar o debate, trazendo dados concretos e uma abordagem didática sobre a realidade da população trans em Palmas. É um tema que ainda aparece pouco nos espaços formais, e momentos como esse ajudam a sensibilizar e gerar reflexão, especialmente com esse público”, pontuou.

Segundo ela, a atividade integra um conjunto mais amplo de ações do projeto, que tem como eixo o direito à cidade e já abordou temas como racismo e desigualdade social. As próximas etapas incluem a produção de um mural coletivo no Case, visitas a espaços institucionais de Palmas e uma atividade final na UFT, com visita aos laboratórios e recepção institucional, buscando aproximar os socioeducandos do ambiente universitário.

Para o chefe da unidade do CASE, Eduardo Montello, a atividade contribui diretamente para o processo formativo dos adolescentes. “Esse tipo de ação amplia o acesso ao conhecimento e promove reflexão sobre respeito e convivência. Muitos deles não tiveram contato com esse tipo de debate. Quando a gente cria esse espaço de escuta e diálogo, possibilita que eles compreendam melhor o outro e o papel deles na sociedade.”

Ele também destacou o impacto da atividade entre servidores da unidade. “Não são só os adolescentes que são impactados. Todos que participaram saem com uma nova perspectiva. É um momento de aprender, de rever conceitos e de olhar para o outro com mais respeito”, finalizou.

Texto: Kaio Costa

Edição: Fernanda Sousa