Na manhã desta quarta-feira, 26, agentes de combate às endemias (ACEs) e agentes comunitários de saúde (ACSs) que atuam nas regiões central e norte da Capital participaram da primeira etapa da capacitação para atuação no Método Wolbachia, estratégia de controle da proliferação do mosquito Aedes aegypti e de redução da transmissão de arboviroses. Realizada na Escola de Tempo Integral (ETI) Almirante Tamandaré, a atividade também apresentou aos trabalhadores novos canais de comunicação interna.
A analista em saúde Renata Braga, que atuou como capacitadora durante a atividade, destacou a importância da preparação dos profissionais que estarão em contato direto com a população. Segundo ela, a capacitação busca garantir que os agentes estejam preparados e seguros para apresentar o Método Wolbachia, esclarecer dúvidas e orientar os usuários de forma adequada.
“Os agentes têm um papel muito importante nesse processo, porque são eles que estão diariamente em contato com a população. Por isso, é fundamental que estejam preparados para explicar o método, esclarecer as dúvidas que possam surgir e transmitir as informações de forma clara e segura”, afirmou.
A capacitação busca alinhar as orientações e preparar os profissionais para a abordagem da população. Para o supervisor-geral dos ACEs das regiões norte e sul, Adão José Teixeira, a formação contribui para aprimorar a comunicação com os usuários e esclarecer dúvidas sobre a estratégia. “Essa capacitação traz uma melhoria para o trabalho com a população, porque nos dá mais segurança e confiança para conversar com os usuários e explicar como o método funciona”, destacou.
A agente comunitária de saúde (ACS) Jozilene Souza da Silva, que atua há dois anos na área, conta que já conhecia o Método Wolbachia e havia participado de uma capacitação on-line, mas o encontro presencial possibilitou aprofundar o conhecimento e esclarecer dúvidas. “Essa formação presencial foi importante para tirar dúvidas e entender melhor como podemos orientar a população. Dessa forma, conseguimos evitar ruídos na comunicação e passar as informações de maneira mais clara”, afirmou.
Método Wolbachia
O Método Wolbachia é uma diretriz de saúde pública que utiliza mosquitos Aedes aegypti contendo a bactéria Wolbachia. A bactéria reduz a capacidade do mosquito de transmitir vírus como dengue, zika e chikungunya.
A Wolbachia é encontrada naturalmente em diversas espécies de insetos, mas não está presente naturalmente no Aedes aegypti. Quando introduzida no mosquito, ela interfere na capacidade de desenvolvimento dos vírus dentro do inseto, reduzindo a possibilidade de transmissão.
Após serem liberados, os Wolbitos, mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia, cruzam com os mosquitos que já vivem na cidade. Os filhotes também passam a carregar a Wolbachia e, ao longo do tempo, a maioria da população de mosquitos da região passa a possuir essa característica, reduzindo de forma contínua a circulação dos vírus. “Por esse motivo, o método é considerado natural, seguro e autossustentável, não sendo necessárias novas liberações após a consolidação da bactéria na população de mosquitos. Outro ponto é que os mosquitos não são transgênicos, pois não têm mudança em seu DNA”, concluiu Renata.