Contando a história do livro infantil A Cor de Coraline, escrito e ilustrado por Alexandre Rampazo, o Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Juscéia Garbelini iniciou, na manhã desta sexta-feira, 7, o projeto ‘Leitura, Afeto e Pertencimento: Fortalecendo Identidades Étnico-Raciais’, apresentado às crianças, famílias e demais integrantes da comunidade escolar.
No pátio da unidade, os pequenos acompanharam atentos e curiosos a narrativa. Na história, Pedrinho pede emprestado a Coraline o lápis ‘cor de pele’. Diante de uma caixa com 12 lápis de cores diferentes, a menina começa a refletir: afinal, qual seria a cor da pele?
A pergunta abriu espaço para uma conversa sobre identidade e respeito às diferenças. Durante a contação, as crianças interagiram com a narrativa e demonstraram compreender a principal mensagem da obra: não existe uma única ‘cor de pele’.
O momento marcou o início de um trabalho que nasceu da observação da realidade do Cmei e da necessidade de ampliar a representatividade nas práticas pedagógicas desenvolvidas com as crianças.
Construção do projeto
Antes de definir as atividades, a equipe gestora realizou um levantamento étnico-racial das crianças matriculadas na unidade. O diagnóstico mostrou que 69% dos alunos são negros, considerando crianças pretas e pardas, além da presença de crianças quilombolas e indígenas na comunidade escolar.
Segundo a diretora Priscila Machado, os dados fizeram a equipe refletir sobre o quanto essa diversidade estava representada nas experiências oferecidas pelo Cmei, especialmente nas histórias apresentadas às crianças. “Algo começou a nos incomodar nas nossas práticas pedagógicas, porque as crianças não se reconheciam nas histórias que eram contadas. As princesas, os reis, as rainhas e os personagens principais não representavam essas crianças, e elas não conseguiam se identificar”, explicou.
A partir dessa percepção, a equipe decidiu ampliar a representatividade também nos brinquedos. Para selecionar os títulos do projeto, a equipe analisou mais de 200 obras literárias. Um dos principais critérios foi o protagonismo de personagens negros nas narrativas.
Aprovado pelas famílias
O projeto foi bem recebido pelas famílias que participaram do lançamento. Pai da pequena Moana Ribeiro Batista Pereira, de 5 anos, Marcionei Batista dos Santos destacou a importância de a escola trabalhar questões relacionadas à identidade e, principalmente, ao respeito desde a educação infantil.
“No país em que vivemos, com a desigualdade que vemos, é fundamental trazer isso desde a base. É muito bom ter a escola envolvida em um projeto como esse. Acredito que vai contribuir não apenas para que a filha aprenda a reconhecer e valorizar a própria identidade, mas também para a formação das demais crianças. Além de ela aprender a se gostar, os coleguinhas também vão aprender. Vão conviver com as diferenças, com as diferentes cores”, avaliou.




