Foi preciso um mês para que a enfermeira Aline Andreia de Sousa Santos Vasconcelos, 46 anos, aceitasse o diagnóstico de câncer de mama, recebido em janeiro de 2025. Nesse período, ela relutou, procurou um culpado e se perguntou por que merecia passar por aquilo. “Depois que aceitei, as coisas fluíram melhor”, afirma. Neste Outubro Rosa, a história dela mostra o quanto o acolhimento emocional e psicológico fez diferença do diagnóstico à reconstrução da mama, após a remoção total.
Além do apoio do esposo, que a acompanhou em todas as sessões, a mãe e a irmã de Aline vieram a Palmas ajudar. Ela conta que a agente comunitária de saúde Mirian Ferreira da Silva, 55 anos, da Unidade de Saúde da Família (USF) Arne 53 (406 Norte), esteve presente durante todo o tratamento. “Ela sempre me visitava aqui em casa e também ligava. Eu estava muito isolada após o diagnóstico e fui muito bem acolhida pela agente de saúde, pela médica e pela unidade.”
Com 25 anos de atuação como agente comunitária de Saúde, Mirian diz que Aline sempre se mostrou interessada em saber mais. “Sempre tiro as dúvidas e oriento sobre prevenção. Ela me falou sobre o diagnóstico e acompanhei todo o tratamento dela.”
Segundo a enfermeira, sem esse apoio ela não teria conseguido vencer as etapas do tratamento. “Sem apoio, eu não conseguiria. O tratamento oncológico é muito doloroso.”
Tratamento e reconstrução
Aline conta que ficou deprimida quando foi informada do diagnóstico. “A gente cai na real: eu vou ter que arrancar a mama!”, relembra. Ela colocou uma prótese, mas o resultado não foi o esperado. “Não ficou a mesma coisa. A prótese doía muito e me limitava os movimentos. Meu seio ficou diferente e tive que adaptar as roupas. Ainda estou recuperando a autoestima”, disse Aline.
Depois da retirada da mama, ela fez radioterapia. Faz um ano que concluiu essa etapa, de um ano de tratamento. Atualmente, está em processo de reconstrução da mama. A segunda etapa está prevista para julho.
Sobre a quimioterapia, Aline explica que ela combate o câncer, mas deixa sequelas. “A quimioterapia afeta várias coisas e traz várias sequelas. Senti muita dificuldade. Minha gengiva ficou inflamada, e a Rede Municipal de Saúde me apoiou. Com a imunidade baixa, precisei ficar isolada, e me vi numa situação de isolamento social. Foi aí que precisei do apoio da família, psicológico e emocional.”
Acolhimento psicológico
O psicólogo Sonielson Luciano de Sousa, da Gerência da Rede de Atenção Psicossocial da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), aponta que, justamente pela fragilização, os pacientes de câncer precisam de acolhimento psicoemocional e escuta qualificada. “Digamos que uma pessoa com suspeita de ter um câncer, dependendo da forma que se der a notícia, você pode ajudar ou piorar o quadro emocional dela. Então, uma boa escuta, um bom acolhimento e um bom direcionamento podem fortalecer o paciente emocionalmente para lidar com as próximas etapas, com mais energia e disposição, uma vez que é um processo longo”, destaca.
Diagnóstico precoce
Aline destaca a importância do diagnóstico precoce. O câncer dela era hormonal, e os exames, inclusive a ressonância, não mostravam nada. Se não tivesse insistido, o diagnóstico poderia ter sido tardio, o que não aconteceu. Por isso, ela defende que as mulheres conheçam o próprio corpo, façam o autoexame e, mesmo com exame negativo, insistam no diagnóstico. “O diagnóstico precoce é muito importante. É preciso conhecer o corpo”, aconselha Aline.
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