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Prefeitura inicia construção de censo para mapear povos e comunidades tradicionais de matriz africana em Palmas

Representantes de terreiros destacam que levantamento dessa população pode ampliar a visibilidade e fortalecer o combate ao racismo religioso

Prefeitura inicia construção de censo para mapear povos e comunidades tradicionais de matriz africana em Palmas

Secretário Joelson Soares destacou a importância de dialogar com as comunidades para a construção de processos mais efetivos

Data da publicação: 15/07/2026

Crédito da foto: Regiane Rocha


A Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial e Direitos Humanos de Palmas (Seirdh) realizou, nesta terça-feira, 14, uma reunião de apresentação e alinhamento do Censo dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana. O encontro, ocorrido às 15 horas na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Sedes), reuniu lideranças religiosas, representantes de comunidades tradicionais e a equipe técnica da secretaria para discutir a construção da iniciativa.

O levantamento tem como objetivo mapear os povos e comunidades tradicionais de matriz africana existentes no município, reunindo informações que irão subsidiar a elaboração de políticas públicas voltadas ao reconhecimento, à proteção e à promoção dos direitos dessas populações.

Sob o lema ‘Conhecer para reconhecer. Reconhecer para garantir direitos’, a reunião marcou o início do diálogo entre o poder público e as comunidades para definir os encaminhamentos e a metodologia do censo.

 

Construção coletiva

Durante a abertura do encontro, o secretário extraordinário de Igualdade Racial e Direitos Humanos, Joelson Soares, destacou que o levantamento integra um planejamento mais amplo da gestão municipal, baseado na escuta das próprias comunidades tradicionais. Eles ressalta que a participação das lideranças é fundamental para que o diagnóstico reflita a realidade vivida pelas comunidades e contribua para a formulação de ações públicas mais efetivas. 

"Quem mais entende do que eles precisam são eles (os povos tradicionais). Quem sabe das dores que passam? Quem sabe das injustiças que sofrem? A nossa equipe é esse elo que vai unir as comunidades à gestão municipal; somos o canal que vai viabilizar essas políticas públicas para eles," afirmou Soares.

 

Expectativa das comunidades

Para William Vieira, babalorixá do Ilê Odé Oyá, localizado no Jardim Aureny II, o levantamento representa um passo importante para o fortalecimento das políticas voltadas às comunidades de matriz africana. "A maior importância deste censo é que, a partir dele, seja possível construir um plano municipal para as comunidades de matriz africana e que, a partir das políticas públicas que venham a surgir dessa iniciativa, seja possível combater a intolerância e o racismo religioso que afetam nossa comunidade".

A expectativa também é compartilhada por Pai Marcelo de Oxóssi, dirigente de um terreiro de matriz africana no Jardim Taquari. Para ele, o reconhecimento institucional das comunidades fortalece sua atuação e reafirma sua importância social. "O censo é de total importância. A partir do momento em que a gente faz esse levantamento e a secretaria nos abraça, a gente se sente visto. Fazer com que isso aconteça é de grande importância, porque os filhos (de santo) são agraciados dentro de uma casa de axé, toda uma comunidade é agraciada dentro de uma casa de axé, e isso nos traz a relevância de que existimos, estamos ali e somos resistência", destacou Marcelo.

 

Babalorixá William Vieira acredita que o censo é um importante ponto de partida para políticas de combate à intolerância e ao racismo - Foto: Regiane Rocha

 

Para Pai Marcelo de Oxóssi, o olhar do poder público fortalece a resistência das comunidades tradicionais - Foto: Regiane Rocha



 

Texto: Tácio Pimenta

Edição: Denis Rocha