O talento e a criatividade dos estudantes da Escola de Tempo Integral (ETI) Almirante Tamandaré, de Palmas, estão ganhando destaque nacional. O projeto Rede Acolhe, desenvolvido por alunos do 8º e 9º anos do ensino fundamental, está entre os semifinalistas do Desafio Liga Jovem, considerada a maior olimpíada de empreendedorismo estudantil do país, promovida pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e operacionalizada pelo Instituto Ideias de Futuro.
A equipe conquistou o primeiro lugar na etapa estadual do Tocantins e agora se prepara para a semifinal nacional, que será realizada presencialmente em Brasília (DF). A conquista é resultado de uma trajetória que começou com a identificação de desafios enfrentados por famílias atípicas e avançou para a criação de uma solução digital voltada à inclusão, à educação e ao acesso à saúde especializada.
A equipe é formada por Ana Laura Franco Zeni Bazotti, Lisandra Ayres do Nascimento e Sophia Emanuelly Araújo Guedes, do 9º ano, além de Enzo Farinelli Panontin e Maria Gabriella Lino de Araújo, do 8º ano. Os estudantes são orientados pelo professor Thiago Rodrigues Furtado, responsável pelas disciplinas de matemática e educação financeira.
Tecnologia a serviço da inclusão
A Rede Acolhe é uma plataforma digital que pretende reunir, em um único ambiente, três recursos fundamentais para famílias atípicas: acesso a profissionais especializados, atividades pedagógicas adaptadas e informações confiáveis.
O professor Thiago Rodrigues Furtado explica que a ferramenta prevê a conexão entre famílias e profissionais de áreas como psicologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicopedagogia, fisioterapia e neuropediatria. Segundo ele, a busca poderá ser realizada por cidade e modalidade de atendimento, incluindo opções on-line, presenciais e híbridas, com o objetivo de facilitar a localização de serviços adequados às necessidades de cada família.
Outro recurso é uma biblioteca colaborativa de atividades adaptadas, na qual professores poderão compartilhar materiais de autoria própria e acessar conteúdos produzidos por outros educadores. A proposta é incentivar a colaboração entre profissionais da educação e ampliar a disponibilidade de recursos pedagógicos inclusivos.
A terceira frente é um espaço informativo e de troca de experiências, com artigos, vídeos e interação entre mães atípicas, educadores e estudantes. A equipe também pretende estabelecer parcerias com universidades para ampliar a participação de estagiários e possibilitar atividades que contribuam para a formação acadêmica.
Demanda da comunidade
A aluna Ana Laura Franco Zeni Bazotti conta que a ideia surgiu a partir de conversas do grupo com mães atípicas, professores e uma profissional da área, que ajudaram os estudantes a compreender as dificuldades enfrentadas no cotidiano. “Para aprofundar a nossa investigação nosso grupo realizou duas pesquisas de campo, uma com mães atípicas e outra com professores. Nosso levantamento mostrou os desafios relacionados ao acesso a terapias especializadas e à disponibilidade de materiais escolares adaptados”, cita a estudante.
A equipe também recebeu o depoimento de uma mãe que utilizou a plataforma e avaliou a ferramenta como fácil e intuitiva. A experiência contribuiu para a análise do protótipo e para a identificação de oportunidades de aprimoramento.
Destaque do Tocantins
A participação no Desafio Liga Jovem começou com a inscrição e a entrega de um vídeo-pitch, avaliado pela organização da olimpíada. Após essa etapa, a equipe se classificou para a fase estadual, na qual apresentou o projeto ao vivo, em formato on-line, para uma banca avaliadora.
O desempenho garantiu à Rede Acolhe o primeiro lugar na etapa estadual do Tocantins. Entre os pontos destacados pela banca estiveram a pesquisa realizada pelos estudantes, a qualidade do protótipo e da interface e o potencial de expansão da iniciativa, incluindo possibilidades de integração com órgãos públicos.
Na semifinal, realizada durante a Missão Técnica Nacional, em Brasília, a equipe deverá apresentar um pitch de até cinco minutos para uma banca avaliadora. As equipes participantes de todo o Brasil serão distribuídas por categoria, e as duas melhores de cada banca avançarão para a Final Nacional. A viagem para a etapa presencial é custeada pelo Sebrae.
De acordo com o cronograma informado pela organização, a final está prevista para 4 de dezembro, durante o Festival LED, também em Brasília. As equipes campeãs de cada categoria receberão como premiação uma missão internacional de até dez dias, com destino previsto para a Itália.