As relações afetivas, familiares, de amizade e até profissionais fazem parte da vida cotidiana e podem influenciar diretamente o bem-estar emocional. Desentendimentos, frustrações e períodos de afastamento podem acontecer em qualquer vínculo e, isoladamente, não significam a existência de um transtorno mental. A atenção deve aumentar quando determinadas situações se tornam frequentes, intensas e começam a provocar sofrimento ou prejuízos em outras áreas da vida.
A psicóloga Eunicelha Lemos explica que conflitos constantes, dificuldade de confiar nas pessoas, ciúmes excessivos, agressividade, necessidade permanente de aprovação, medo intenso de abandono, dependência emocional e rompimentos sucessivos podem sinalizar que a pessoa está enfrentando dificuldades que merecem atenção. “O afastamento de amigos e familiares, mudanças bruscas na forma de se relacionar e a sensação de que os vínculos são sempre fonte de sofrimento também podem indicar a necessidade de cuidado”, ressalta.
Porém, a psicóloga reitera que esses comportamentos não devem ser utilizados para rotular ou diagnosticar alguém. Ela explica que uma mesma atitude pode ter diferentes causas e estar relacionada ao momento vivido, às experiências anteriores, à dinâmica daquele relacionamento ou a questões emocionais que precisam ser compreendidas de maneira individual. “O diagnóstico de um transtorno mental depende de avaliação realizada por profissionais qualificados.”
Como oferecer ajuda
A profissional também explica que o apoio familiar e social pode ajudar pessoas que enfrentam problemas nos relacionamentos. “Ao perceber mudanças importantes no comportamento de alguém próximo, o acolhimento pode começar por uma conversa. Ouvir sem interromper, evitar julgamentos e demonstrar disponibilidade são atitudes que ajudam a criar um espaço seguro para que a pessoa fale sobre aquilo que está vivendo. Frases que diminuem o sofrimento, culpabilizam ou tratam a situação como drama podem aumentar o isolamento e dificultar a busca por ajuda”, pontua a psicóloga.
A psicóloga complementa que também é importante compreender que apoiar não significa assumir sozinho a responsabilidade pelo bem-estar emocional do outro. “Quando o sofrimento persiste, interfere na rotina, provoca isolamento, prejudica diferentes relacionamentos ou compromete atividades como estudo e trabalho, a busca por acompanhamento profissional pode ajudar a compreender o que está acontecendo e construir formas mais saudáveis de lidar com as emoções e os vínculos.”
Onde buscar atendimento
No Sistema Único de Saúde (SUS), as Unidades de Saúde da Família (USFs) são a porta de entrada preferencial para avaliação e acompanhamento. A pessoa pode procurar sua unidade de referência e, conforme a necessidade identificada pela equipe, receber acompanhamento ou ser encaminhada para outros serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps).