Nesta terça-feira, 27, celebra-se o Dia Nacional de Luta pelos Direitos das Pessoas com Doença Falciforme no Brasil. Condição genética e hereditária, a doença altera os glóbulos vermelhos que, no processo chamado de falcização, dificulta a circulação do sangue e a oxigenação dos órgãos e tecidos. Entre os sintomas estão dores intensas no corpo, anemia, infecção e icterícia, que é a coloração amarelada da pele, das mucosas e da parte branca dos olhos.
Em Palmas, os exames para detecção da doença são ofertados pela rede municipal de Saúde e o tratamento é realizado no Hemocentro. O diagnóstico precoce, feito pelo teste do pezinho, é a principal porta de entrada para o tratamento, oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Se o resultado for positivo, a criança passa por um novo teste de confirmação. A doença também pode ser identificada pela eletroforese de hemoglobina, exame disponível no SUS. “O melhor é fazer o teste do pezinho ao nascer. Quanto antes diagnosticar, melhor, porque já se começa o tratamento e isso proporciona uma melhor qualidade de vida à pessoa”, destaca a nutricionista residente da Secretaria Municipal da Saúde de Palmas (Semus), Ana Beatriz Souza.
Assistidas
Neurilene Miranda de Sousa é mãe de Maria Eduarda Sousa Ribeiro, 12 anos, cujo diagnóstico foi possível com o teste do pezinho. “É uma luta contra as complicações da doença. Quando a dor é intensa vamos ao pronto atendimento. De seis meses para cá melhorou muito a qualidade de vida dela. Mas já afetou vesícula, rins, ela teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC). É uma luta constante”, conta.
Os dois dos tipos mais comuns da doença são a SS, que tem sintomas mais graves, e a SC com sintomas mais leves. Júlia Reis de Almeida, de 6 anos, foi diagnosticada com o tipo SC por meio do teste do pezinho. “Quando chegou o resultado, a Unidade de Saúde da Família pediu para fazer o segundo exame e com o segundo diagnóstico fomos encaminhados ao tratamento. A minha filha tem a SC, que é mais branda, tem poucas intercorrências, mas ela tem dores, já internou várias vezes. O fato de ser branda não significa que ela não tenha dores, na verdade tem um intervalo maior entre uma internação e outra”, afirma a mãe de Júlia, Gisele Silva Reis.
Aconselhamento genético
As Unidades de Saúde da Família (USF) da Capital também fazem o acompanhamento e o aconselhamento genético, considerado muito importante pela nutricionista residente Ana Beatriz. O aconselhamento genético consiste na orientação das pessoas que já têm a doença ou que possuem o traço falciforme e que desejam ter filhos. Elas são aconselhadas a fazer o rastreamento do companheiro ou da companheira, para saber se também têm a doença. Dependendo do caso, há ainda o aconselhamento contraceptivo. “Nós informamos do risco e também que a pessoa pode ter filho sem a doença”, afirma.
De acordo com o Ministério da Saúde, os casos suspeitos e confirmados da doença são de notificação compulsória, o que abrange os serviços de saúde públicos e privados. Em Palmas, a Semus está realizando capacitações sobre a Doença Falciforme para os profissionais de saúde que atuam nas unidades.